Autor: Luís Lima Santos
Editora: Vida Económica
A contabilidade é para muitos matéria árida, mas a profundidade da análise não é inimiga da clareza da exposição. O autor, conforme o próprio escreve, prossegue o objectivo de identificar as estruturas conceptuais, para a contabilidade nos países de língua portuguesa e de sinalizar as diferenças entre o normativo contabilístico dos países mais representativos (Brasil e Portugal) e o normativo do IASB (International Accounting Standards Board) pelo confronto dos assuntos e aspectos que constituem o essencial na abordagem das linhas de convergência entre o IASB e o FASB (Finantial Accounting Standards Board), sendo de assinalar que trabalha sobre a documentação de base dos diferentes países e não sobre as práticas.
Talvez o título “Contabilidade Internacional” possa suscitar engulhos. Ainda em Fevereiro de 2006 (no Diário Económico publicado no dia 23 daquele mês) pudemos ler que Rogério Fernandes Ferreira se insurgia contra a expressão: “apelidar a contabilidade de internacional (e de nacional) é utilizar modo de expressão algo destituído de sentido e de conteúdo”, afirmando do mesmo modo que “introduzir os ‘standards’ do IASB (International Accounting Standards Board), entidade privada, na União Europeia, tornando-os aqui normas jurídicas, estará a corresponder a uma espécie de colonização” .
Descartando essa eventual polémica, é de notar que Luís Lima Santos refere que a sua experiência docente na Universidade Fernando Pessoa, na Universidade Luterana do Brasil, no Instituto Politécnico do Porto, no Instituto Superior de Administração e Gestão, no Instituto Superior de Estudos e Contabilidade e ultimamente no Instituto Politécnico de Leiria, onde é professor adjunto da Escola Superior de Tecnologias do Mar, e o interesse dos seus alunos, em particular dos PALOP’s foram importantes como incentivo e até no caso dos PALOP’s como instrumento de acesso a documentação. Se alguém pode reinvindicar tanto experiência docente como extra – docente, tanto experiência universitária como politécnica, tanto conhecimento prático de contabilidade como capacidade para realizar investigação sobre ela – este livro, editado em 2006, é resultado de uma tese de doutoramento – se alguém, em suma, pode ser tanto especialista como académico, esse alguém é certamente o autor. Quase acrescentaríamos aliás tanto nortenho como sulista, uma vez que se trata de um portuense de origem, agora radicado em Peniche.
50 % dos direitos de autor revertem a favor da UNICEF.