INTERNET - O novo território da memória?

Da literatura à filosofia, da química à biologia, da antropologia à história, o desejo em compreender o que é memória tem sido algo recorrente através dos séculos. Recentemente um outro ângulo aparece, ainda, para atravessar o conceito de memória destes tempos, quando observamos as chamadas novas tecnologias da informação e da comunicação.

O espectacular desenvolvimento das tecnologias ligadas à informática, sobretudo relacionadas à Internet, alterou a relação da sociedade com a memória. Jacques Le Goff alerta para o perigo da exteriorização da memória e da dependência: “A memória, na qual cresce a história, que por sua vez a almenta, procura salvar o passado para servir o presente e ao futuro. Devemos trabalhar de forma que a memória colectiva sirva para a libertação e não para a servidão dos homens”.

A possibilidade que se abre para a memória a partir das tecnologias dos computadores não é vista em cores tão vivas pelo filósofo Jean Baudrillard. A noção de simulacro do autor pode ser aplicada à memória própria das máquinas. “Talvez não sejamos mais do que espaços pertencentes a ela – o homem transformado em realidade virtual da máquina, seu operador especular, o que corresponde à essência da tela. Há um para além do espelho, mas não o além-tela. As dimensões do próprio tempo confundem-se no tempo real. E a característica de todo e qualquer espaço virtual sendo de estar aí, vazio e logo susceptível de ser preenchido com qualquer coisa, resta entrar, em tempo real, em interacção com o vazio”.

Mas o que, de fato, pode ser observado é que, neste tempo, a memória passa por uma grande transformação ao ser tocada pelas tecnologias de informação e comunicação.

Para Umberto Eco, vivemos um momento de crise da memória, pois pensávamos que nossa cultura se definia por uma acumulação ininterrupta de conhecimentos, mas esta é uma falsa ideia. Por isso mesmo, é fundamental ter sempre claro que recordar é selecionar. Em se tratando dos registros de informação na Internet, o que se pode dizer é que se tudo é memória, não há mais memória.

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