Ministro confia que estudo da OCDE
Podem ocorrer reformas
O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), Mariano Gago, está confiante nas reformas internas que o estudo a ser efectuado pelo Departamento de Educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) vai trazer ao ensino superior português.
«A avaliação (da OCDE) ocasionará reformas internas às instituições (de ensino superior) e também no sistema no qual elas operam, tanto em termos legislativos como institucionais», afirmou Mariano Gago por ocasião do encerramento da conferência «Pensar a evolução dos sistemas de ensino superior face aos desafios e oportunidades da globalização», no início do mês de Março. A conferência foi realizada em colaboração com o Departamento de Educação da OCDE e contou com a presença do director da divisão das políticas de Educação e Formação, Abrar Hasan.
Mariano Gago salientou que o debate sobre o estado do ensino superior em Portugal poderá trazer alterações aos estatutos jurídicos das instituições públicas de ensino, ao mesmo tempo que defendeu que a actual política de desenvolvimento científico exige «reformas profundas».
O ministro não deixou de sublinhar a sua confiança no progresso alcançado pelo país ao longo dos últimos 30 anos, na independência do valor da análise crítica, na determinação para mudar o que for necessário, na capacidade de ter ambição e na importância que o ensino superior passará a ter no futuro do país e na reforma do papel do país no mundo.
Por seu lado, Abrar Hasan aproveitou a oportunidade para salientar o desenvolvimento que, no seu entender, Portugal tem sentido no ensino superior e frisou que espera que este estudo traga a Portugal as reformas necessárias para concretizar o Processo de Bolonha com sucesso.
«O relatório vai analisar de certeza o Processo de Bolonha, os ajustamentos que as Universidades precisam de fazer e de como esses ajustamentos poderão ser feitos mais facilmente», explicou Abrar Hasan.
O director da divisão das políticas de Educação e Formação da OCDE acrescentou que neste relatório vão ser analisados todas os vectores do ensino superior, desde a estrutura do sistema educativo, aos seus recursos, passando pelo apoio dado aos estudantes ou pelo apoio dado à internacionalização.
Abrar Hasan também quis relembrar que na história da OCDE estes relatórios têm ajudado os diversos países a encontrar os melhores meios para as suas reformas. «Cada pais é diferente mas há elementos comuns e é em relação a esses elementos que se pode aprender com a experiência de outros países», sublinhou. O estudo e o consequente relatório que a OCDE vai realizar ao ensino superior português foi pedido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior em Novembro de 2005 e os seus resultados serão conhecidos apenas no inicio de 2007, apesar de estar previsto um primeiro esboço para Setembro deste ano.
Universidade do Algarve
A reutilização da água
As questões relativas à gestão dos recursos hídricos e à reutilização da água estiveram em debate na Universidade do Algarve, no seminário intitulado "Recursos Hídricos como geri-los eficazmente? A reutilização da água". O evento terá lugar no Anfiteatro Azul do Campus de Gambelas, no dia 24 de Abril.
O Seminário foi promovido e organizado por uma equipa de rotários (Sub-comissão de Ambiente e Clubes Rotários do Algarve), que reuniu um conjunto de profissionais especialistas nos diversos temas a abordar e destinava-se a técnicos da administração pública e outros profissionais, professores, membros de Organizações Não Governamentais e cidadãos interessados por estes assuntos.
Com esta iniciativa pretendeu-se sensibilizar os participantes para o valor da ÁGUA e para a escassez deste recurso, que importa saber preservar cada vez mais. Aliás, torna-se prioritário apostar na utilização racional da água, que passa pelo incentivo à sua reutilização.
Universidade da Beira Interior
Estudantes contestam critérios de avaliação
A Associação Académica da Universidade da Beira Interior (AAUBI) lançou, no dia 27 de Junho, uma campanha de protesto contra os métodos de avaliação de alguns docentes da instituição.
A campanha consistia na afixação de barras pela cidade com o apelo: «Alunos da UBI: transfiram-se».
«A primeira vai ser afixada às 10h00 na ponte pedonal junto à central de camionagem da Covilhã», anunciava em comunicado o presidente da AAUBI, Bruno Carneiro. Outras faixas foram afixadas junto ao pólo I e pólo IV da UBI e na sede da AAUBI.
A Associação Académica da Universidade da Beira Interior acusou perto de uma centena de professores dos diferentes departamentos de adaptarem os seus critérios de avaliação ao Processo de Bolonha (que prevê a unificação do ensino superior na Europa) de forma ilegal.
Entre outros aspectos, os estudantes dizem ser irregular a imposição de notas mínimas e taxas de assiduidade para acesso aos exames finais de cada uma das disciplinas.
Em Janeiro, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco concordou com uma providência cautelar movida pela AAUBI contra a aplicação dos critérios de avaliação. A UBI recorreu para o Tribunal Central Administrativo do Sul, mas em 22 de Maio aquela instância negou provimento ao recurso, dando razão aos estudantes.
Entre outros pedidos, a Associação defende que os alunos que tenham sido impedidos de realizar exames finais no primeiro semestre, os possam fazer gratuitamente durante a «época especial», em que é necessário pagar uma taxa.
A AAUBI anunciou que ia solicitar também a intervenção da Inspecção-Geral do Ensino Superior e accionar queixas judiciais contra os docentes que tenham violado a providência cautelar movida pela academia.
A UBI é frequentada por cerca de cinco mil alunos distribuídos por 31 licenciaturas.
Debate Nacional Sobre Educação
O Conselho Nacional de Educação promoveu no dia 22 de Junho, pelas 14h30m, no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, um debate sobre "Ciência, Investigação e Desenvolvimento Educativo'; inserido no debate nacional sobre educação "Como melhorar a educação nos próximos anos?" O Debate incluiu uma sessão de abertura, com as presenças de António Morão Dias (Director-Geral do Ensino Superior), João Sentieiro (Presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia) e Fernando Seabra Santos (Reitor da Universidade de Coimbra); um painel consagrado ao tema "Investigação científica e desenvolvimento"; e um outro painel destinado a debater a "Gestão do Ensino Superior para o Desenvolvimento".
Politécnico de Setúbal
Ministério aprovou oito cursos
Ao abrigo do processo de Bolonha, que visa promover a igualdade de oportunidades no espaço europeu, o Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) já conseguiu aprovar oito licenciaturas.
O anúncio foi feito pelo presidente do Instituto Politécnico de Setúbal, Armando Pires, durante uma conferência de imprensa para balanço dos primeiros três meses de exercício da actual direcção daquele estabelecimento de ensino.
Segundo Armando Pires, o Instituto Politécnico de Setúbal, que integra as Escolas Superiores de Educação, Tecnologia (Barreiro e Setúbal), Ciências Empresariais e Saúde, espera conseguir a aprovação das outras 22 licenciaturas até ao início do próximo ano lectivo de 2007/2008.
«Estamos a fazer um grande esforço de adequação dos nossos cursos ao processo de Bolonha», disse Armando Pires, salientando que a par das exigências legais que passam pela existência de uma «maioria de docentes doutorados ou especialistas» reconhecidos nas suas áreas de actividade, é igualmente necessário promover uma «mudança de mentalidades».
«O processo de Bolonha representa um novo modelo de educação baseado no desenvolvimento das capacidades e aquisição de competências dos alunos e não no modelo clássico de transmissão de conhecimentos», sublinhou Armando Pires.
Armando Pires salientou que a estratégia da actual direcção do IPS passa também pela captação de novos públicos, designadamente maiores de 23 anos, que procuram valorizar-se e certificar competências que entretanto adquiriram na vida profissional.
Com o objectivo de proporcionar melhores condições a docentes e alunos, o IPS pretende também avançar rapidamente para a construção das novas instalações da Escola Superior de Saúde, com um investimento estimado de 8,2 milhões de euros, a funcionar provisoriamente em instalações cedidas pela Escola de Ciências Empresariais.
«São duas escolas (Ciências Empresariais e Saúde) em crescimento e neste momento já existem algumas tensões devido à falta de espaço», disse Armando Pires, frisando ainda a necessidade de dotar a Escola Superior de Saúde de «espaços com características específicas que, naturalmente, não existem na Escola de Ciências Empresariais».
«É fundamental que a escola Superior de Saúde comece em 2007», referiu, reconhecendo, no entanto, que ainda não há verbas previstas para equipamento no Programa de Investimentos e Despesas de desenvolvimento da administração Central (PIDDAC).
Entretanto continuam a pairar ameaças sobre a renovação de contratos de numerosos docentes, entre os quais os 70, incluindoi doutorados e doutorandos, que integram a "lista negra" da Escola Superior de Tecnologia.
Reunião na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viana do Castelo (I. P .V.C.)
No âmbito da dinamização de actividades nas escolas, o SNESup, na semana seguinte à entrega no MCTES das "Seis Medidas para a Estabilidade Profissional e para a Protecção em caso de Desemprego", também subscritas pela FENPROF, realizou no dia 12 de Junho, por iniciativa dos delegados sindicais, e com a participação da Direcção do SNESup, representada pelo colegá Henrique Curado e da Delegada Regional do nosso Sindicato, colega Luísa Santos, uma reunião de docentes da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viana do Castelo, para a qual foram também convidados pelo nosso Sindicato a ADEESP (em organização) e o SPN. Nesse mesmo dia teve lugar uma reunião da Direcção do SNESup com a Presidente do Conselho Directivo da instituição.
SNESup reuniu com Avaliadores Internacionais
No âmbito do processo de avaliação do Sistema português de Ensino Superior, o SNESup reuniu, no dia 18 de Maio, com os peritos da ENQA (European Association for Quality Assurance in Higher Education) e, no dia 25 de Maio, com os peritos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico). Tratou-se em ambos os casos de corresponder à vontade destas instituições em recolher as opiniões do SNESup sobre um conjunto de matérias relativas ao Ensino Superior.
Na reunião com a ENQA, o SNESup manifestou a opinião de que o modelo de avaliação desenvolvido pelo CNAVES teve algum mérito na implementação e na difusão de procedimentos de avaliação, mas que o mesmo se encontra esgotado, sendo necessário avançar para um modelo de acreditação e de avaliação de instituições e de cursos do Ensino Superior. O SNESup manifestou igualmente a necessidade de uma futura agência de acreditação e de avaliação exercer um maior poder de regulação do que aquele que tem sido exercido pela tutela, no sentido de uniformizar as designações dos cursos e de tornar a oferta mais legível e equilibrada e a distinção entre formação universitária e politécnica mais nítida e mais integrada. Regulando e definindo, por exemplo, os requisitos de acesso à condição de "especialista de reconhecida experiência e competência profissional". Outra preocupação transmitida pelo SNESup à ENQA incidiu sobre a necessidade em garantir que os futuros procedimentos de avaliação contextualizarem devidamente os indicadores a avaliar e os compararem internacionalmente, tendo em consideração as condições e os apoios em que as instituições o os docentes exercem as suas actividades. A necessidade em avaliar os mecanismos de gestão das instituições e a efectividade do poder de inspecção da tutela foi outra das preocupações transmitidas pelo SNESup.
Na reunião com a OCDE, correspondendo à delimitação prévia de assuntos a abordar manifestada pela organização junto do SNESup, e apoiando-se nos dados recolhidos pelo SNESup através dos inquéritos realizados em 2005 sobre as condições efectivas do exercício da docência e da investigação no Ensino Superior, o sindicato abordou três dimensões do sistema de Ensino Superior: gestão institucional; condições de exercício das actividades docentes e de investigação; e financiamento. Relativamente à gestão institucional, o SNESup apelou a uma maior capacidade de regulação da tutela nos casos que suscitam maior conflituosidade e que revelem indicadores de falta de gestão democrática e de falta de transparência. Reiterou igualmente a sua proposta de funcionar como parceiro em mecanismos extrajudiciais de resolução de conflitos que envolvam docentes e investigadores nas instituições onde está representado. No domínio da gestão científica o SNESup manifestou a sua preocupação com o esvaziamento dos conselhos científicos em detrimento das Comissões coordenadoras nas universidades e com a exclusão de mestres e doutores em várias instituições de ensino politécnico. Sobre as condições de exercício das actividades docente e de investigação, o SNESup evidenciou os bloqueamentos existentes e realçou a necessidade em serem consignadas possibilidades de reconhecimento do mérito científico e pedagógico que desbloqueiem os mecanismos de progressão nas carreiras. Defendeu a necessidade de serem previstos mecanismos de mobilidade entre a carreira docente e a carreira de investigação científica. Salientou as tendências crescentes de precaridade, particularmente no domínio da investigação científica e a ausência de subsídio de desemprego e de mecanismos de transição das carreiras docentes e de investigação para outras carreiras da função pública.
Sobre financiamento, o SNESup mostrou-se preocupado com a decisão governamental de não financiamento do segundo ciclo em muitas áreas de formação superior. Defendeu que a participação dos alunos no financiamento do ensino superior não deve aumentar e que o Estado deve reforçar o investimento no Ensino Superior e na Investigação Científica.
Reuniu o Conselho Nacional do Snesup
O Conselho Nacional do SNESup, órgão máximo do Sindicato entre Assembleias Gerais, integrado por representantes de todas as Secções Sindicais, reuniu no passado dia 1 de Julho em Lisboa, tendo a reunião sido presidida por Gonçalo Xufre, apoiado por Conceição Marinho e Paulo Cruchinho.
A discussão do Relatório e Contas de 2005 e dos pressupostos para a aprovação do Orçamento de 2006 foram ambos aprovados por unanimidade, com introdução no Regulamento de Organização Financeira de alterações ao enquadramento dos apoios do Fundo de Greve e Solidariedade, e no Regulamento de Apoio Jurídico da possibilidade de definição de limites de comparticipação no pagamento das despesas judiciais incorridas por cada associado.
Os resultados do Sindicato em 2005 foram, tal como os de 2004 e de 2003, positivos, mas as condicionantes que vêm afectando o emprego e a remuneração dos seus associados, ainda que tendo permitido nestes anos um crescimento moderado das receitas recomendam a maior contenção possível no domínio das despesas.
O Conselho debateu demoradamente a situação laboral nas instituições do ensino superior, particularmente em termos de ameaças aos postos de trabalho, tendo realçado a necessidade de se conseguir um maior impacto nas iniciativas concretizadas. A recente concentração junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, e a forma como foi tratada na comunicação social mereceram particular atenção. A Direcção vai implementar algumas das recomendações formuladas.
A terminar a reunião, que alcançou quorum apesar do Portugal - Inglaterra (nós tinhamos marcado a reunião antes), foram designados os representantes do Conselho Nacional no Conselho Editorial da Ensino Superior - Revista do SNESup.
Comissão Sindical do SNESup Reijniu com o Reitor da Universidade de Evora
A Comissão Sindical do SNESUP na Universidade de Évora (Manuela Magno, Manuel Mota e Joaquim Barbosa), reuniu com o Senhor Reitor no dia 23 de Junho. A delegação do SNESup enumerou alguns das preocupações relativamente a situações associadas às condições de trabalho e à carreira docente. Foi referenciada a situação dos colaboradores e a eventual irregularidade de tal forma de prestação de serviço docente. O bloqueamento da carreira docente devido à ausência de revisão dos quadros do pessoal docente e dê vagas não colocadas a concurso, a previsível necessidade de reestruturação dos cursos ministrados na UE, a implementação do processo de Bolonha, a dificuldade de atrair candidatos aos cursos da Universidade e medidas que a Reitoria pensa implementar de forma a tentar ultrapassar as dificuldades existentes, foram outras das questões abordadas. Foram ainda apresentadas algumas das dificuldades no trabalho do dia-adia dos docentes e a necessidade de simplificação de processos administrativos, que facilitem o trabalho dos professores enquanto docentes e investigadores.
A todas estas questões o Senhor Reitor manifestou total abertura no sentido de que sejam encontradas, sempre que possível, as melhores soluções que sirvam os docentes e a UE. Relativamente aos colaboradores afirmou ser sua intenção proceder a uma drástica redução, distinguindo aqueles que correspondem a necessidades permanentes de serviço com a sua passagem a docentes convidados, daqueles que representam apenas situações pontuais. Em todo o caso, os procedimentos administrativos irão ser reformulados no sentido da sua conformidade com a legislação em vigor. Relativamente à carreira docente o Senhor Reitor lembrou a dificuldades e os constrangimentos actuais e concordou com a delegação do SNESup no sentido de serem instituídas na carreira docente mecanismos conducentes ao reforço da isenção dos júris e às promoções por mérito, tanto mais que a principal dificuldade não é a diferença de vencimento entre as categorias da carreira docente, mas sim a necessidade do cabimento total das vagas colocadas a concurso. Referiu de seguida a campanha em curso no sentido da simplificação dos processos administrativos e os trabalhos que estavam a decorrer no sentido de adequar os cursos da Universidade de Évora aos requisitos estabelecidos pelo Governo no âmbito do processo de Bolonha. Perante uma solicitação da delegação do SNESup no sentido da realização na UE de uma jornada de reflexão sobre alterações ao ECDU o Senhor Reitor deu o seu total apoio a esta iniciativa. Ambas as partes manifestaram o desejo de continuação do diálogo e colaboração no sentido da resolução de eventuais problemas que venham a surgir do âmbito da actividade docente na Universidade de Évora ficando expressos os agradecimentos do SNESup ao Senhor Reitor pela disponibilidade manifestada para a realização da reunião.
Universidade do Minho
Guimarães Rodrigues
Foi quem venceu as eleições
Guimarães Rodrigues foi reeleito reitor da Universidade do Minho (UM) pelo segundo mandato consecutivo, ao recolher 72% dos votos do Colégio Eleitoral da Universidade. O seu opositor Moisés de Lemos Martins averbou apenas 19% dos votos. Na hora da vitória, Guimarães Rodrigues apelou à união da Academia, após um período de «alguma inquietação», que considerou próprio de um processo eleitoral.
Daí o seu compromisso imediato de «alinhar as tropas» perante os grandes desafios da Universidade do Minho, augurando - sem querer ser pessimista - «tempos difíceis» no Ensino Superior, tendo em vista as limitações orçamentais e o próprio processo de Bolonha.
O reitor interpretou a sua vitória eleitoral como «expressão de apoio e reconhecimento de quatro anos à frente da UM», num projecto que visa acentuar a sua «utilidade social» ao nível da região Minho. Entre as suas preocupações está o «desafio da mudança» que permita a afirmação da UM, ao nível da formação, investigação e internacionalização.
Por outro lado, Guimarães Rodrigues aposta em projectos mobilizadores transversais à própria UM, assentes num diálogo estreito com os vários departamentos académicos, já que, em sua opinião, «os alicerces da Universidade são as escolas».
Presidente da República a favor de Bolonha
«É uma excelente oportunidade para recuperar competitividade!»
O Presidente da República, Cavaco Silva, encara o Processo de Bolonha como «uma mensagem de urgência» para Portugal recuperar a competitividade e «acertar o passo» pelas melhores instituições de ensino superior europeias. Resta saber é se nós vamos conseguir acompanhar o ritmo importo pelos nossos parceiros europeus.
«O sistema de ensino superior português está a atravessar uma fase profunda de reformulação que é, de facto, imperiosa para que tenhamos uma voz activa e plenamente reconhecida no espaço europeu do ensino e empregabilidade», afirmou Cavaco Silva.
O chefe de Estado, que falava na sessão de encerramento das comemorações dos 75 anos da Universidade Técnica de Lisboa, considerou o Processo de Bolonha «um convite» e uma oportunidade para as instituições que «não se resignam à mediania e ambicionam uma posição de revelo no plano internacional».
«Mais do que novos curricula, trata-se de criar os fundamentos de uma nova atitude perante o ensino, a aprendizagem e a formação ao longo da vida como factor essencial para o sucesso no mercado de trabalho», sublinhou o Presidente da República, lembrando que o Processo de Bolonha desafia Portugal a «construir um verdadeiro espaço europeu do conhecimento».
Mudanças que, segundo Cavaco Silva, «não se fazem sem tensões, hesitações ou críticas», mas são necessárias, não só por uma questão interna das universidades, mas por «uma questão nacional».
«Aprendizagem, formação e emprego são equacionados numa perspectiva de convergência no plano europeu, o que implica a comparabilidade dos diferentes cursos e sistemas de ensino», acrescentou, recordando que a mobilidade de estudantes e docentes é já uma realidade e que a actividade profissional, em qualquer área, «já não conhece círculos fechados ou espaços exclusivos de acção».
O relacionamento das universidades com a sociedade e as empresas, em particular, foi outra questão abordada por Cavaco Silva na sessão de encerramento das comemorações dos 75 anos da Universidade Técnica de Lisboa, onde estudou e deu aulas durante vários anos.
«O ritmo e intensidade da interacção entre as universidades e as empresas portuguesas tem de crescer e tornar-se uma cultura adquirida e permanente, nova fonte de exigência e de visão avançada do futuro», defendeu, rejeitando discutir «se a culpa do baixo nível dessa interacção está nas universidades ou nas empresas».
«O que importa é olhar o futuro, de modo a que nunca mais se possa dizer que as Universidades estão fechadas nas suas torres de marfim porque, de facto, essa frase já não faz sentido», sublinhou o Presidente da República.
Cavaco Silva alertou ainda para a necessidade de se apostar numa formação e aprendizagem contínua, considerando que essa é uma condição de sucesso em qualquer áreas profissional ou científica. «Não podemos prometer aos jovens um caminho aplainado, confortável e sem riscos», disse, considerando que «sem pessoas qualificadas, empreendedoras, motivadas e aptas para aprender em permanência, instala-se a rotina, a indiferença e o desalento. Por isso, o insucesso escolar, o abandono precoce do sistema de ensino ou a falta de aproveitamento no ensino superior são um desperdício grave que tem de ser combatido com todas as nossas forças e capacidades», referiu.
Jogos Eleitorais no Estoril
A Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE) durante muito tempo em regime de dupla tutela, administrativa e financeira por parte do Ministério da Economia, científica e pedagógica por parte do Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, passou agora para a órbita deste, não sem que a falta de atenção a que tem sido sujeita por parte do poder político deixasse de produzir consequências em termos de gestão.
Na realidade o Conselho Directivo (CD) tem funcionado ao longo dos últimos dois anos com dois dos quatro membros que constitui o seu número legal de membros, o que não impediu a Presidente do CD, enquanto presidente de uma instituição não integrada, de exercer funções equiparadas a presidente de Instituto Politécnico, procurando apoio e orientações, não na tutela legal, mas junto da presidência do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP).
Tem sido graças ao aconselhamento da presidência do CCISP que na ESHTE não se cumpre o disposto na Lei nº 1/2003 quanto à participação de mestres e doutores nos respectivos órgãos. E é também graças ao aconselhamento da dita presidência que a ESTHE deixou agora de cumprir o disposto nos seus próprios Estatutos, homologados pelas tutelas através de Despacho Normativo e publicados em Diário da República quanto à eleição da Assembleia de Representantes e do Conselho Directivo. Apresentada uma lista de docentes que não se propunha reconduzi-la para um terceiro mandato, a Presidente do CD fazendo tábua rasa dos Estatutos em vigor e ao abrigo da qual foi eleita nos dois anteriores mandatos, suspende o processo eleitoral, altera o caderno eleitoral por si previamente aprovado, e suscita a elaboração de novo calendário. Esta vem a ser aprovada por uma Assembleia de Representantes sui generis em que participam os docentes eleitos para a anterior assembleia e pelos alunos eleitos para a nova.
Conhecendo o tempo que os tribunais levam a decidir "casos" do Politécnico, a nossa estimada garante da legalidade desafia quem não apreciar estes jogos eleitorais a recorrer à justiça. Enquanto os processos estiverem a decorrer continuará naturalmente em funções. E vem dando largas à sua indignação por o Sindicato, que tem filiados nos vários sectores de opinião do corpo docente da Escola, lhe pediu que desistisse de alterar as regras do jogo a meio.
A autonomia das instituições assenta no Estado de Direito. Não pode ser exercida por poderes que se auto-reproduzem à revelia dos próprios Estatutos de Autonomia.
Obstáculos ao exercício da actividade sindical
A Presidente do Conselho Directivo da ESTHE recusa-se a reconhecer como delegado sindical do SNESup um dos associados recentemente eleitos em reunião convocada para o efeito, e credenciado como tal pela Direcção. Segundo diz, como não desconta as quotas através dos serviços da Escola, não tem provas de que esteja inscrito no Sindicato. E aproveita para...pedir a relação de eventuais associados que tenhamos na instituição e paguem quota por outros meios.
Regresso ao Estado Corporativo ?