Modulização: uma ferramenta de grande utilidade

Antes mesmo da entrada no assunto que é título deste texto, cabe uma pequena referência à questão da terminologia em diversos documentos sobre Bolonha. Verifica-se a necessidade urgente de acertar alguns termos sob pena de se gerarem mal entendidos, construindo um glossário, o mais completo possível.

O termo módulo surge associado, nalguns escritos, à própria disciplina ou, de acordo com designações mais recentes, à unidade curricular.

Propomos que se crie a figura do MÓDULO como unidade autónoma de conteúdos, isto é, como conjunto de assuntos que poderá ter interesse definir como bloco de formação mínima. Nesse sentido no módulo são identificadas as necessidades de conhecimentos à entrada, são aferíveis os conhecimentos adquiridos e definidas as interligações e sequência com outros módulos.

Esta ideia de módulo apresenta importantes vantagens para o processo de reformulação dos cursos de acordo com Bolonha, principalmente, como facilitador da passagem de uma estruturação baseada no modelo tradicional de cadeiras tradicionais dos cursos respectivos, para uma outra que parte das competências a adquirir e conteúdos gerais e específicos identificados. No limite um módulo poderá corresponder a uma unidade curricular.

A criação dos módulos a partir do zero permitirá a flexibilidade total, fazendo-os integrar unidades curriculares diferentes e oferecendo-os a todos os interessados, sejam eles internos ou externos à instituição.

Uma outra vantagem da criação dos módulos é a facilitação do cálculo da carga de trabalho do aluno e, consequentemente, dos ECTS's, Créditos Europeus Transferíveis.

Mas torna-se essencial iniciar o processo pelo lado certo e desenvolvê-lo numa sequência adequada resistindo, sempre, à tendência de copiar os cursos tradicionais, formatados há largos anos atrás.

Mesmo sabendo que haverá muitas unidades curriculares que serão muito idênticas a disciplinas e cadeiras já existentes, criam-se as condições objectivas para novos métodos pedagógicos e formas de avaliação, cumprindo algumas das propostas de Bolonha, melhorando a qualidade e eficácia da aprendizagem.

Rui Pulido Valente

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