João Salavessa*
Já passaram 25 anos desde que a Escola Superior Agrária de Castelo Branco (ESACB) foi criada pelo Dec. Lei n.º 513-T/79 de 26 de Setembro, tendo sido nomeada a sua primeira Comissão Instaladora em 29 de Setembro de 1980.
Três anos mais tarde, em 1983/84, a ESACB deu inicio às suas actividades lectivas, ministrando dois cursos de bacharelato, o de Produção Agrícola e o de Produção Animal. Mais tarde, no ano lectivo 1985/86, passou também a ministrar o curso de Produção Florestal.
Foi em 1989/90 que se iniciou o curso de Maquinaria Agrícola, que não tardou a dar lugar ao bacharelato em Engenharia Rural (1996/97), que por sua vez no sentido de melhor harmonizar a oferta de cursos da ESACB com as pseudo-necessidades do mercado de trabalho, acabou por ser integrado naquele que é hoje o curso de Engenharia das Ciências Agrárias e Ambiente, constituindo a opção/ramo: Rural.
Porém, já em 2001/02 se tinha passado a designar bacharelato em Engenharia Rural e Ambiente, por se ter entendido que acrescentado ao nome do curso a palavra Ambiente se captava maior atenção por parte dos caloiros, o que efectivamente veio a acontecer.
Esperançada em responder às pseudo-crescentes solicitações do mercado de trabalho em técnicos com formação na área do ambiente e recursos naturais, passou a ESACB a ministrar o curso de Engenharia de Ordenamento dos Recursos Naturais no ano lectivo de 1994/95.
Em 1998/99, na sequência da alteração da Lei de Bases do Sistema Educativo passou a ESACB a poder ministrar licenciaturas, ministrando actualmente os cursos bi-etápicos de licenciatura:
Engenharia das Ciências Agrárias e Ambiente
Engenharia da Produção Animal
Engenharia Florestal
Engenharia dos Recursos Naturais e Ambiente
Engenharia Biológica e Alimentar
Protecção Civil
Não fosse o facto destes cursos resultarem de meras operações cosméticas na sua designação, algo que infelizmente as escolas, um pouco por todo lado, vão sendo obrigadas a fazer na ingénua esperança de captar novos alunos para assim garantirem o seu financiamento e justificarem a sua actualmente débil existência, e tudo parecia ir bem.
Já se ministram cursos de mestrado, pós-graduação e especializações e se nos deixassem, estou certo que ESACB seria também capaz de realizar programas de doutoramento.
Mas não deixa de ser com especial agrado que verifico um regresso ás origens, àquela que em nosso entender é a primordial vocação do ensino superior politécnico e da qual nunca se deveria ter esquecido, com a organização dos novos cursos de especialização tecnológica.
Inicialmente projectada para servir uma área geográfica que se estendia desde o Norte do Alentejo, por todo o Centro Interior até à Beira Alta, a ESACB veio mais tarde, com a criação em 1994 das Escolas Superior Agrária de Viseu e Superior Agrária de Elvas, ver reduzida a sua área de influência.
Se a este facto juntarmos o generalizado decréscimo do número de candidatos ao ensino superior, algo que já estava previsto desde a década de 70, com a agravante dos nossos jovens mostrarem, no geral, pouca apetência para as áreas tecnológicas e quase nenhuma para as Ciências Agrárias.
Conhecido de todos que é o sistema de financiamento do ensino superior, e os graves problemas económicos que o país atravessa, cujas repercussões se fazem sentir de forma mais acentuada nas regiões do interior de Portugal, surge-nos a angústia de imaginar como vão ser os próximos 25 anos da ESACB.
Ao longo da sua existência a ESACB tem proporcionado aos seus alunos uma sólida formação científica, técnica e prática, que visa o exercício das actividades profissionais para que os habilita, articulando os conhecimentos teóricos com a realidade prática, incentivando o espírito de observação crítico e motivando os alunos para a experimentação e a pesquisa, na expectativa de dar resposta aos problemas do dia a dia da nossa sociedade.
Paralelamente à actividade formativa, a ESACB actua também ao nível das actividades de investigação aplicada, mantendo simultaneamente protocolos de colaboração com algumas instituições de investigação, e com as cada vez menos instituições do aparelho produtivo.
Mas sem alunos, sem dinheiro para pagar os vencimentos e assim garantir o normal funcionamento da instituição. Que futuro imediato está reservado para os docentes além quadro?
Mais me intriga, como vão os poucos docentes do quadro da ESACB conseguir dar uma resposta digna, em tantas e tão díspares áreas científicas, em que vão ter de leccionar, desenvolver trabalho de investigação e de apoio à comunidade.
Porém, tudo indica que as verbas que daqui resultam são manifestamente insuficientes para que a ESCAB consiga o tão desejado auto-financiamento.
A ESACB promove a divulgação do conhecimento científico, por meio de actividades como palestras temáticas, seminários e congressos, ao mesmo tempo que coloca os seus serviços à disposição da comunidade em que se insere, nomeadamente através da realização de análises e estudos, para além da prestação das mais diversas formas de assessoria técnica.
Mas também daqui resultam poucas receitas!
A ESACB investiu ao longo da sua existência na investigação científica e na formação do seu corpo docente, recorrendo às mais diferentes fontes de financiamento, como foram o PAMAF, AGRO, SAPIENS, PRAXIS, INTERREG, PIDDAC e PRODEP.
A ESACB pode mesmo orgulhar-se de, no panorama geral, ter estado muito bem apetrechada em termos de recursos humanos, o que pode constatar-se pelo número de Doutores e Mestres que ainda vão constituindo o seu corpo de docentes.
Mas sem alunos, sem dinheiro para pagar os vencimentos e assim garantir o normal funcionamento da instituição. Que futuro imediato está reservado para os docentes além quadro?
Mais me intriga, como vão os poucos docentes do quadro da ESACB conseguir dar uma resposta digna, em tantas e tão díspares áreas científicas, em que vão ter de leccionar, desenvolver trabalho de investigação e de apoio à comunidade.
Que futuro será o reservado aos nossos colegas mais velhos que fazem parte do quadro?
ESACB constitui uma unidade orgânica do Instituto Politécnico de Castelo Branco, é um estabelecimento de formação de nível superior, vocacionada para o ensino, a investigação, a prestação de serviços à comunidade e para colaboração com entidades nacionais e estrangeiras em actividades de interesse comum.
Que futuro está reservado para ESACB?
São respostas a estas entre outras questões que tardam em surgir, e cuja ausência tem contribuído para aumentar a confusão e o declínio que está muito perto de atingir o apogeu.