Contra este quadro não estão "cobardes", como diz o Senhor Ministro, a quem aliás a escolha do calendário do debate público permite retornar o epíteto, está gente que tem trabalhado muito pelas suas universidades e politécnicos e acredita genuinamente na participação e, por muito que a palavra ofenda hoje os ouvidos, na Democracia.
Mais um ano lectivo que finda sem resposta para a necessidade de implementação de uma Via Verde para o Mérito que garanta aos docentes e investigadores que dão o seu melhor sem que tal lhes garanta, a progressão na carreira a que têm direito, e, em muitos casos, nem a manutenção do posto de trabalho. O problema não está na lei, está nas práticas de gestão, eivadas de abusos, e no financiamento, que os potencia. O SNESup bem o sabe, que se tem batido escola a escola e posto de trabalho um pouco por todo o país.
O Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior divulgado em Maio veio revelar-se a este respeito uma decepção. É certo que o Estado parece preocupar-se com o que se passa nas instituições, mas a prolixidade do articulado esconde a ausência de mecanismos de efectiva garantia da legalidade, tanto no público, como no privado. E, tal como se intuía, é fácil de perceber que quem estiver neste momento no poder garantirá a conformação dos estatutos à sua medida, a eleição da maioria do conselho geral, a co-optação dos elementos "externos".
Contra este quadro não estão "cobardes", como diz o Senhor Ministro, a quem aliás a escolha do calendário do debate público permite retornar o epíteto, está gente que tem trabalhado muito pelas suas universidades e politécnicos e acredita genuinamente na participação e, por muito que a palavra ofenda hoje os ouvidos, na Democracia.
O SNESup interveio no processo do RJIES, tendo sempre em atenção as possíveis repercussões na revisão dos Estatutos de Carreira, e está a dar prioridade a esta nas suas atenções. Tem propostas ponderadas e bem estudadas. O sucesso que possa vir a ter dependerá da sua capacidade para recordar aos docentes e investigadores que têm o direito de negociar os seus estatutos profissionais.
A Revista do SNESup tem acompanhado e acompanhará esta acção. O seu Director e os seus colaboradores mais directos têm estado também expostos às agruras profissionais que afectam a generalidade dos colegas. Agradecemos por isso vivamente a quem nos tem enviado materiais para publicação - neste número vários artigos e a entrevista com o Senhor Reitor da Universidade do Porto - e procuraremos minimizar as falhas, que são da nossa responsabilidade.