Os despojos da Aliança

Autor: Pedro Aires de Oliveira (2007)

Editora: Tinta da China

Com o subtítulo "A Grã-Bretanha e a questão colonial portuguesa 1945-1975" este livro baseia-se na tese de doutoramento do autor, neste momento Professor Auxiliar Convidado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL, e procura esclarecer o impacto da Grã - Bretanha no desenvolvimento e desfecho da crise do colonialismo português, estudando, com especial incidência no período 1945-1975, as relações luso-britânicas, para o que se apoiou largamente nos arquivos portugueses e britânicos, sendo que nestes últimos os arquivos dos serviços de espionagem (MI6) permaneçam inacessíveis ao historiadores.

A obra, bem estruturada e de leitura acessível, consegue dar-nos uma descrição muito vívida não só das motivações dos Governos de Sua Majestade, condicionados por imperativos nem sempre conciliáveis: necessidade de, após a II Guerra Mundial, manter o Reino Unido como uma das maiores potências...de segunda ordem, tanto no plano político como económico, para o que se tornou essencial uma conciliação sem sempre fácil dos seus compromissos para com os EUA, a NATO, a ONU, a Commonwealth, com aqueles que hipoteticamente poderiam decorrer da aliança de 600 anos com Portugal, que foram, numa época em que sopravam fortemente "ventos de mudança" sistematicamente subalternizados.

Percebe-se, da vasta documentação analisada, que os políticos, os altos funcionários, os diplomatas britânicos, que já haviam acolhido o advento do regime salazarista com bons olhos (por ter afastado o republicanismo radical e ser um dique contra outras experiências) e já tinham decepcionado os democratas portugueses que, no pós - II Guerra Mundial contavam que a pressão internacional pusesse termo à ditadura, foram igualmente compreensivos perante a resistência do ditador português à descolonização, ainda que a considerassem irrealista. A influência dos movimentos de opinião internos e o crescente peso dos países do 3º Mundo colocaram porém com frequência a diplomacia britânica perante dilemas em que a não-decisão se revelou a única decisão possível. Menos condicionadas, a França e a República Federal Alemã ajudaram política e militarmente o regime e reforçaram a sua posição nas relações comerciais com Portugal.

O autor enriqueceu o trabalho com notas biográficas sobre toda uma série de intervenientes nas relações luso-britânicas.

Pedro Aires Oliveira
Tinta da China, 2007

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