Autor: Hermes Augusto Costa
Editora: Afrontamento
Hermes Augusto Costa, sociólogo, que debate neste número da Ensino Superior - Revista do SNESup as virtualidades e limites do e-sindicalismo, é autor de uma obra, resultante da realização de uma tese de doutoramento, que analisa a transnacionalização da actividade sindical.
O autor compara, em 5 capítulos, os contributos das centrais sindicais mais representativas de Portugal (CGTP) e Brasil (CUT), avaliando os impactos resultantes das transformações do capitalismo global no mundo do trabalho e da organização sindical e repensando a transformação da actividade sindical no espaço luso-brasileiro.
Balançando entre uma crise persistente e a necessidade de renovação transnacional, o sindicalismo contemporâneo enfrenta um conjunto de desafios que, dada a evolução histórica das centrais sindicais retidas (que merece uma ampla e detalhada descrição nesta obra), e as contingências da organização sindical, são de resultado incerto face à necessidade de renovação. Aliás, a própria evolução histórica das centrais sindicais, e o seu relativo fechamento a outras entidades da sociedade civil, numa altura em que uma maior abertura é condição fundamental para a sua transformação, encerra grande parte das contingências que fazem do sindicalismo global uma metáfora adiada.
Num sentido mais prospectivo, Hermes Augusto Costa parte da análise dos Conselhos de empresa europeus e do Contrato colectivo do MERCOSUL para discutir os obstáculos à transnacionalização do sindicalismo, mas também para sugerir rumos para novas e renovadas formas de exercício da actividade e da organização sindical.
O sindicalismo à escala global apresenta-se como solução óbvia para a renovação da actividade sindical, sendo que, para o autor, o seu sucesso político depende da capacidade em se articular com outros globalismos ligadas aos movimentos protagonizados por mulheres, às lutas pelos direitos humanos, aos grupos ecológicos, à defesa dos direitos dos consumidores, aos movimentos pacifistas, etc. As resistências no interior da própria organização sindical ao sentidos das mudanças necessárias sobressaem como um dos maiores obstáculos à renovação sindical.