O SNESup dá o devido valor aos bons interlocutores que tem encontrado em vários momentos na Assembleia da República na sua acção na defesa do Ensino Superior e da Investigação Científica e na dos docentes e investigadores seus representados. Sem pretendermos ser exaustivos, foi o caso de Luísa Mesquita (PCP), Pedro Roque (PSD), Cecília Honório (BE) Luís Fagundes Duarte e António Ribeiro Gameiro (PS).
Independentemente da polémica em que tem estado envolvida, o seu papel decisivo desde 2000 na defesa do subsídio de desemprego para os docentes do ensino superior e investigadores, de que tem sido, incontestavelmente, o principal rosto parlamentar, justificava desde há muito que entrevistássemos Luísa Mesquita, apesar da inexistência das "pontes" pessoais que costumam facilitar este tipo de empreendimento. Afinal, a Deputada, e Colega, revelou-se acessível, e facultou-nos as respostas que acabaram de ler.
Conhecemos Luísa Mesquita na Assembleia da República onde fomos levar em Março de 2000 o nosso protesto pela não aceitação pelo Governo do subsídio de desemprego para os docentes do ensino superior e investigadores, por nós proposto. A campainha de chamada para a sessão atroou os ares durante toda a reunião, mas conseguimos entender-nos. Alertámo-la para a existência de um grande número de convidados e equiparados a tempo integral com ou sem exclusividade, a cuja situação só o SNESup estava nessa altura atento. O projecto de lei que tinha apresentado, e sobre o qual só o SNESup e a UGT se pronunciaram em sede de discussão pública, omitia essas situações. Mas os projectos seguintes sobre o mesmo tema corrigiram a omissão.
Um desses projectos foi a discussão no Plenário em Outubro de 2003, com chumbo prometido. Soubemo-lo escrutinando o calendário da Assembleia da República e convocámos o que terá sido, se não a primeira, pelo menos uma das primeiras campanhas de mails junto de um órgão de soberania. Sindicato independente, e certamente não conotado com o PCP, a iniciativa terá surpreendido quem nos conhece mal. Mas também nos surpreendeu que o PCP avançasse com este tipo de iniciativas parlamentares sem assegurar uma paralela mobilização social. Alguém dizia nessa altura "O PCP já não é o que era..."
Ao longo de todo este tempo realizaram-se, sobre outros assuntos, contactos parlamentares, designadamente com a Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, onde Luísa Mesquita sempre se revelou de longe a deputada mais preparada. Mas o último teve lugar em Novembro de 2006, em conjunto com a FENPROF, visou novamente o subsídio de desemprego, tentando obter o apoio do PCP para a defesa de um texto que instituísse um regime para toda a Administração Publica. Leal para com o seu Grupo Parlamentar, prometeu estudar o assunto, sem nos dizer que estava em risco de ser "saneada", como o foi efectivamente no dia seguinte. A sua opinião, concordante com a nossa, soubemo-la agora na entrevista.
Os partidos parecem ter conseguido em definitivo domesticar os seus deputados. Passou o tempo das cisões com incidência parlamentar que permitiram formar a ASDI e a UEDS. Aliás Luísa Mesquita, não reivindicando o estatuto de "dissidente político", não tem uma boa imprensa. O dizer que estabeleceu um acordo pessoal com o seu partido quando se candidatou não é valorizado por uma opinião pública para o qual um deputado é (mais) um político descartável. Resta saber se tal não acaba por ser negativo para o próprio sistema político. Por alguma coisa hoje em dia é comum dizer-se que ninguém quer ser deputado.