Em jeito de pedido natalício, gostava que, em 2008, os colegas que exercem cargos de poder nas universidades portuguesas respeitassem escrupulosamente o que está definido no Estatuto da Carreira Docente Universitária (ECDU). Também gostava que o governo de José Sócrates investisse mais na investigação científica em Portugal. Está na hora de criar mais postos de trabalho para a comunidade científica.
Por altura da época festiva que se aproxima, costumamos fazer as pazes com aqueles que mais nos magoaram durante o ano. Temos tendência para perdoar todo o mal que nos fizeram. Pedimos que 2008 nos traga paz, alegria, fraternidade, saúde e prosperidade. Tal como as crianças, voltamos a acreditar no Pai Natal e num mundo mais justo, solidário e perfeito.
Na qualidade de director da "Ensino Superior", aproveito para endereçar os votos sinceros de Boas Festas - pelo menos, tanto quanto possível - a todos os meus colegas que se encontram desempregados e sem subsídio de desemprego. Não posso deixar passar esta oportunidade para fazer o meu pedido natalício: que os responsáveis governamentais ponham cobro, de uma vez por todas, a este problema (e com a merecida celeridade que a gravidade da situação exige). Uma lei que mantém inconstitucionalidades vergonhosas deve ser tida como «fora do prazo». Haja, portanto, vontade política em 2008.
Nesta época especial, peço igualmente aos colegas que exercem cargos de poder na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, na Universidade da Beira Interior, na Escola Superior de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Lisboa, na Universidade da Madeira e demais instituições de ensino superior para respeitarem a legislação em vigor, nomeadamente o Estatuto da Carreira Docente Universitária (ECDU).
É importante esclarecer os colegas João Sàágua, João Caupers (FCSH-UNL), António Belo (ESCS-IPL) e todos os outros que desempenham cargos de direcção que os docentes do ensino superior têm um estatuto de carreira próprio, pelo que as suas relações profissionais devem reger-se por este normativo legal. Os bons exemplos devem vir de cima.
Falando de exemplos, seria óptimo que, do outro lado do Oceano, o governo de Lula da Silva pudesse implementar acções políticas que aniquilassem a discriminação racial bem evidente no Brasil. Os mais pobres e os negros também têm direito a estudar nas universidades públicas. É por isso que as cotas raciais assumem uma importância vital.
Por último, gostava que o executivo de José Sócrates canalizasse mais verbas para a investigação científica no nosso país, fazendo com que os cientistas portugueses que estão a trabalhar no estrangeiro sintam orgulho e tenham coragem (e motivos) para regressar a Portugal. Tenho a certeza que se apostarmos numa investigação científica de qualidade e dermos mais condições de trabalho aos cientistas, eles acabarão por regressar ao país que, no fim de contas, investiu na sua formação.