1º Congresso de Arqueologia do Alto Ribatejo

O Congresso

O Alto Ribatejo é um território de transição, onde confluem as três principais unidades geomorfológicas que caracterizam o ocidente peninsular: as formações antigas do maciço hespérico, dominadas por xistos, granitos e gneiss; os calcários do mesozóico e do cenozóico; e as formações detríticas do cenozóico, que incluem os terraços quaternários.

O Alto Ribatejo é, assim, uma região ecótona, definida pelo povoamento e pela rede hidrográfica, e não por uma homogeneidade fisiográfica. Estendendo-se de Alcanena e Torres Novas até Mação, e de Vila Nova da Barquinha até aos contafortes meridionais da Serra de Alvaiázere, o Alto Ribatejo foi território, desde a pré-história, de forte presença humana, que aí encontrou uma assinalável diversidade de recursos (hidrográficos, geológicos e do bioma) a menos de um ou dois dias de distância a pé de qualquer dos seus pontos.

Os estudos de arqueologia na região remontam a José Leite de Vasconcellos e à época de fundação da arqueologia portuguesa (com a colaboração da equipa de pesquisadores do Museu Nacional de Arquelogia, mas também com a influência da Comissão Geológica e de Paul Choffat), e foram retomados em diversos momentos posteriores, como em meados do século XX (com Camarate França, Eugénio Jalhay e diversos pesquisadores da região, com destaque para João Calado Rodrigues). Mas seria a partir de finais da década de 1970, e nas três décadas seguintes, que uma arqueologia apoiada em equipas interdisciplinares se consolidou, envolvendo diversos jovens pesquisadores locais (num movimento “amador” de enorme importância científica e patrimonial) e de fora da região (agregando cada vez mais instituições de ensino superior e de investigação).

Trinta anos depois, o Alto Ribatejo é uma realidade estudada que deu origem a centenas de artigos científicos, mas que nunca foi objecto de um “ponto da situação” global. É este esforço que se pretende iniciar com o presente congresso. Inicialmente pensado para quatro dias, as restrições financeiras actuais impuseram um formato mais curto, com apenas dois dias. Isso implicou que algumas das contribuições sejam apresentadas sob a forma de poster. Mas em todo o caso, está já prevista a publicação das actas, que incluirão todas as contribuições, bem como a realização futura de um segundo congresso.

 

A iniciativa do Instituto Politécnico de Tomar através do seu Centro de Pré-História, com o Centro de Interpretação de Arqueologia do Alto Ribatejo e com o Instituto Terra e Memória, teve desde cedo o apoio de várias instituições, com destaque para a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e as autarquias de Abrantes, Mação e Vila Nova da Barquinha.

O congresso tem lugar em Vila Nova da Barquinha, município onde se cruzam os dois eixos viários que permitem hoje aceder aos vários espaços do Alto Ribatejo, e onde há uma década foi criado o Centro de Interpretação de Arqueologia da Região. Decorrendo nas magníficas instalações do Centro Cultural do município, que foi objecto de certificação de qualidade pelo programa HERITY, o congresso será uma ocasião para não apenas fazer o ponto da situação da pesquisa mas para melhor articular os grupos de investigação e a sua relação com a comunidade. 
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Agradecemos divulgação do evento que pode ser consultado em http://www.ipt.pt/congressoarqueologia/
Ana Cruz
Centro de Pré-História, edifício M
Instituto Politécnico de Tomar, 2300-313 Tomar 
 
96 654 93 89
249 328 133
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