Colega,
o SNESup chamou a atenção desde o primeiro momento para a forma como as medidas de Estímulo ao Emprego Científico não estavam a acautelar os percursos com mais maturidade, incluindo a prossecução de contrato e integração na carreira dos investigadores doutorados contratados pelos programas Ciência e o Investigador FCT.
Já na altura de anúncio desses programas chamámos a atenção para a forma como estavam a ser criadas uma espécie de para-carreiras assentes em contratos precários e sem qualquer estruturação ou continuidade.
Foi por esse mesmo motivo que o SNESup propôs, ainda em 2016, duas propostas, quer ao nível de Orçamento de Estado, quer para aplicação da Diretiva Comunitária 1999/70 aos investigadores doutorados, procurando uma integração na carreira.
A atual situação de desestruturação da Ciência, não só em termos da precariedade que afeta os investigadores, como pela própria precariedade institucional, feita de associações privadas sem fins lucrativos e por uma Fundação de Ciência e Tecnologia em desagregação forçada, obriga a uma reforma urgente e mais do que necessária.
Para que se perceba a situação dos investigadores doutorados, deixamos um gráfico produzido pela FCT e que contém o número de contratos ativos por programa.

Dado que nestes dados estão ainda 180 investigadores do programa Investigador FCT e ainda 20 do Programa Ciência, os números de 2018 vão significar uma melhoria apenas no último ano da legislatura, mas com base em contratos precários.
Sabemos que na próxima sexta-feira o MCTES vai organizar mais um evento, neste caso com o título "Ciência, inovação e ensino superior em Portugal: Um ano depois da avaliação pela OCDE", num programa que demonstra a sua continuada alergia para com o SNESup e outras organizações representativas e críticas.
Porque para nós importa a voz efetiva dos investigadores, divulgamos a "Carta Aberta por uma carreira de investigação científica", que contém já mais de 600 assinaturas, de investigadores que possuem em comum uma situação precária, ou mesmo de desemprego, apesar do mérito dos seus percursos.
Mais do que iniciativas de promoção de notoriedades, importa desenhar políticas públicas que resolvam os problemas institucionais do nosso Ensino Superior e Ciência.
Não podemos continuar num modelo malabarista, em "alta rotatividade".
Saudações Académicas e Sindicais
A Direção do SNESup
14 de fevereiro de 2019